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sexta-feira, 15 de julho de 2011

Américas antes de Colombo - Parte 5: maias - religião, escrita, sociedade e colapso

Calendário maia
Religião, escrita e sociedade maia
O calendário e as sofisticadas observações astronômicas tornaram-se possíveis através de um sistema vigesimal matemático. Os maias conheciam o conceito do zero e o usavam em conjunção de notação posicional. Com elegante simplicidade e apenas sinais para um, cinco e zero, eles podiam fazer cálculos complexos. Como entre todos os povos mesoamericanos, o calendário maia era baseado em um conceito de ciclos recorrentes de diferentes comprimentos. Eles tinham um ciclo sagrado de 260 dias divididos em meses de 20 dias, dentro dos quais havia um ciclo de 13 números. Este calendário ritual se combinava com um calendário solar de 365 dias, ou 18 meses de 20 dias e uma sobra de 5 dias “mortos” ou dias de mau agouro no fim do ano. Os dois calendários operavam simultaneamente de modo que qualquer dia teria dois nomes, mas a combinação particular desse dia nos dois calendários só ocorreria uma vez a cada 52 anos. Assim, entre os maias e maioria dos mesoamericanos, os ciclos de 52 anos eram sagrados.
Os maias clássicos, no entanto, diferenciavam-se de seus vizinhos porque eles também mantinham um calendário de longa duração ou sistema de datação a partir de uma data fixa no passado. Esta data, 3114 AEC pelo nosso calendário, provavelmente marcava o início de um grande ciclo de 5.200 anos desde que o mundo foi criado. Como outros mesoamericanos (e os antigos peruanos), os maias acreditavam em grandes ciclos de criação e destruição do universo. O calendário longo permitia aos maias datar eventos com precisão. A data maia mais antiga registrada que sobreviveu é 292 EC e a última é 928 EC.
A segunda grande realização maia foi a criação de um sistema de escrita. Os maias “escreviam” em monumentos de pedra, murais, cerâmicas e em livros de papel de casca de árvore e em pele de cervo, dos quais apenas quatro sobreviveram. Os escribas eram estimados e possuíam um lugar importante na sociedade. Embora ainda não possamos ler muitas inscrições, avanços recentes agora permitem a leitura de muitos textos. A língua maia escrita era, como o chinês e o sumeriano, um sistema logográfico que combinava elementos fonéticos e semânticos. Com este sistema e cerca de 287 símbolos eles eram capazes de registrar e transmitir conceitos complexos e ideias. Os poucos livros remanescentes (códices) são textos religiosos e astronômicos, e muitas inscrições em cerâmica tratam do culto da morte e da complexa cosmologia maia.
A visão maia do universo era de uma terra plana, cujos pontos cardeais e centro eram dominados por um deus que sustentava o céu. Acima do céu estendiam-se 13 níveis de paraísos e abaixo nove submundos, cada um dominado por um deus. Através desses níveis o sol e a lua, também compreendidos com deidades, passavam a cada dia. Um conceito básico de dualismo mesoamericano – macho e fêmea, bom e mau, dia e noite – enfatizava a unidade de todas as coisas, similar ao encontrado em algumas religiões asiáticas. Assim, cada deus muitas vezes tinha uma deusa consorte ou forma feminina em paralelo e frequentemente também um paralelo no submundo. Além disso, havia deidades patronas de várias ocupações e classes. Dessa forma, o número de deidades nas inscrições parece incalculável, mas estes poderiam ser entendidos como manifestações de um conjunto mais limitado de forças sobrenaturais, bem parecidas com os avatares ou encarnações dos deuses hindus.
Enquanto os poucos livros sobreviventes são de caráter religioso, a maioria das inscrições nos monumentos são registros históricos das famílias governantes das cidades maias. Os centros maias importantes eram os núcleos de cidades-estado que controlavam territórios afastados. Havia estado de guerra constante, e governantes, tais como Pacal de Palenque (que morreu em 683), expandiram seus territórios através da conquista. As vitórias de Pacal foram registradas em seus monumentos funerários e em sua luxuosa tumba descoberta dentro de uma pirâmide em Palenque.
Os governantes exerciam considerável poder civil e provavelmente religioso, e governavam auxiliados por uma elite que exercia funções administrativas. Uma classe de escribas ou talvez de sacerdotes administrava o culto do estado e era especializada nos cálculos e observações do complexo calendário. O governante e os escribas organizavam e participavam de rituais de automutilação e de sacrifício humano que entre os maias, assim como na maior parte da Mesoamérica, formavam um importante aspecto da religião. Também, como uma forma de culto e esporte, os maias, como outros povos mesoamericanos, praticavam um jogo de bola ritual em quadras especialmente construídas nas quais os jogadores passavam a bola com seus quadris ou cotovelos. Os perdedores podiam perder suas propriedades ou suas vidas.
Construtores, ceramistas, escribas, escultores e pintores trabalhavam nas cidades pela glória dos deuses e dos governantes. A maioria das pessoas, no entanto, era formada de camponeses fazendeiros cujo trabalho sustentava o ritual elaborado e a vida política da elite. Os cativos eram escravizados. As famílias patriarcais provavelmente formavam a base da vida social da mesma forma que entre os maias da época da chegada dos espanhóis. Todavia, a elite traçava suas famílias através dos pais e das mães. As mulheres da elite são muitas vezes representadas em monumentos dinásticos em posições de importância. Os casamentos de estado eram importantes e as mulheres da elite retinham direitos consideráveis. Entre o povo comum, as mulheres cuidavam da preparação da comida e das responsabilidades domésticas, incluindo a produção de belas roupas. A divisão de tarefas por gênero era provavelmente apoiada em crenças religiosas e costumes, se considerarmos os maias atuais como modelo.

Colapso
Entre cerca de 700 e 900, o mundo mesoamericano foi sacudido pelo declínio cataclísmico dos grandes centros culturais. As razões para esse colapso não são completamente entendidas, mas o fenômeno foi geral. No planalto central, Teotihuacán foi destruída por volta de 650 por invasores externos, provavelmente caçadores nômades do norte talvez com a colaboração de alguns dos grupos sob dominação de Teotihuacán. A cidade talvez já estivesse em declínio devido a problemas crescentes com a agricultura. Enquanto que a queda de Teotihuacán pareça ter sido repentina, Monte Albán, o centro zapoteca, entrou em uma fase de lento declínio e eventual abandono.
O aspecto mais misterioso do colapso foi o abandono das cidades maias. Durante o século VIII, os governantes maias pararam de erigir estelas comemorativas e grandes edifícios, o tamanho da população diminuiu. Por volta de 900, a maioria dos principais centros maias foi abandonada. Os acadêmicos não concordam se esse processo foi o resultado de problemas ecológicos e mudança climática, exaustão agrícola, revoltas internas ou pressão estrangeira. O colapso ocorreu em diferentes momentos em diferentes lugares e parece ser o resultado de vários processos, dos quais o crescente estado de guerra era uma causa ou sintoma. O estado de guerra deve estar relacionado ao declínio de Teotihuacán e à tentativa das cidades-estado maias de se instalar no controle das antigas rotas comerciais.
Importante entre as explanações para o colapso maia tem sido a exaustão agrícola. A habilidade maia para criar uma civilização na densa floresta tropical de Petén na Guatemala e nos vales de Chiapas foi baseada em um sistema agrícola altamente produtivo. Por volta do século VIII, os limites deste sistema, dado o tamanho da densidade populacional, devem ter sidos alcançados. Tikal tinha uma densidade populacional estimada de 116 pessoas por quilômetro quadrado. Manter os grandes centros populacionais era uma carga crescente. Doenças epidêmicas também podem ser consideradas como uma causa do colapso, talvez indicando algum contato imemorial com o Velho Mundo. Outros acreditam que os camponeses simplesmente se recusaram a tolerar as cargas de servidão e alimentação para as elites políticas e religiosas e que uma rebelião interna levou ao fim das dinastias governantes e de suas cidades.
As razões para o colapso da civilização clássica permanecem obscuras, mas o período estava claramente terminando, e enquanto uns poucos centros continuaram a ser ocupados por invasores e algumas tradições persistiam, as realizações culturais do período clássico não voltaram a ocorrer novamente. A contagem de longa duração terminou, o culto das estelas cessou e a qualidade da cerâmica e as realizações arquitetônicas declinaram. Mas enquanto os grandes centros maias dos vales do sul e das regiões montanhosas eram abandonados ou entravam em declínio, as cidades maias no Iucatã e nas áreas montanhosas guatemaltecas se expandiam e continuavam algumas das tradições, junto com influências culturais consideráveis do México central. Famílias governantes mexicanizadas se estabeleceram em Chichén Itzá e em outras cidades do Iucatã, e grupos maias mexicanizados do litoral do golfo penetraram no sul da região maia. A área norte maia foi capaz de acomodar estas influências e de criar uma nova síntese das culturas maia e do centro do México. Nas grandes cidades maias meridionais, como Tikal, Palenque e Quiriguá tais acomodações não foram feitas e a floresta tropical logo invadiu os templos e palácios.
Depois de 1000, um dos novos grupos que ocupou o platô central após a queda de Teotihuacán, os toltecas falantes de nahuatl, estabeleceram o controle político sobre um grande território e com o tempo estenderam sua influência ao território maia. Seu espírito parece ter sido militar, e a maior parte de sua cultura derivava das tradições clássicas. A partir da capital em Tula no México central, a influência e o comércio toltecas devem ter se disseminado a regiões tão distantes quanto o sudoeste norte-americano, onde o povo anasazi, ancestral dos índios pueblos, produzia belas cerâmicas e cultivava milho nos vales desertos. Em Iucatã, as famílias governantes alegavam descender de invasores toltecas. Até mesmo quando o império tolteca caiu por volta de 1200, as tradições culturais da Mesoamérica não morreram, porque estados imperiais e civilização não necessariamente andam juntos. Finalmente, contudo, um novo poder – os astecas – surgiu no planalto central mexicano. Os astecas iniciaram então outro ciclo de expansão baseado nos modos de vida já profundamente enraizados da Mesoamérica.

quinta-feira, 14 de julho de 2011

Américas antes de Colombo - Parte 4: Teotihuacán, maias clássicos

Teotihuacán
A era clássica
Após a inciativa olmeca, o período de aproximadamente 150 a 900 da era comum foi a época de grandes realizações culturais na Mesoamérica. Os arqueólogos se referem a ele como período clássico. Durante esse período, grandes civilizações floresceram em vários lugares. Os dois principais centros de civilização estavam no alto vale central do México e nas terras tropicais mais úmidas do sul do México, Iucatã e Guatemala.

O vale do México: Teotihuacán
No México central, a cidade de Teotihuacán, próxima a moderna Cidade do México, surgiu como um enorme centro urbano com funções religiosas importantes. Ela era sustentada pela agricultura intensiva na região circundante e provavelmente pelas safras plantadas em torno do grande lago no vale central do México. Os enormes templos pirâmides rivalizam com as pirâmides do antigo Egito e sugerem um aparato estatal considerável com o poder de mobilizar um grande número de trabalhadores. A estimativa para a população dessa cidade, que ocupava uma área de mais de 23 km², é de mais de 200.000 habitantes. Isto faria dela maior que as cidades do antigo Egito ou da Mesopotâmia e provavelmente apenas menor do que Roma entre as cidades da Antiguidade clássica.
Havia bairros residenciais para grupos étnicos e comerciais específicos, e há evidências consideráveis de amplas distinções sociais entre sacerdotes, nobres e o povo comum. Os muitos deuses da Mesoamérica, ainda cultuados quando os europeus chegaram no século XVI, já eram estimados em Teotihuacán. O deus da chuva, a serpente emplumada, a deusa do milho e a deusa das águas são todos visíveis nos murais e decorações que adornam palácios e templos. Na verdade, quase toda arte de Teotihuacán parece ser de natureza religiosa.
A influência de Teotihuacán se estendeu para bem longe ao sul, até a Guatemala, e tributo era provavelmente exigido de muitas regiões. Artefatos de Teotihuacán, tais como cerâmica e obsidiana primorosamente trabalhada – assim como seu estilo artístico – são encontrados em muitas outras áreas. A influência de Teotihuacán era forte em Monte Albán, no vale do Oaxaca. Guerreiros vestidos no estilo de Teotihuacán podem ser encontrados em baixos-relevos bem ao sul, na região maia.
Teotihuacán representava um império político ou um estilo cultural e ideológico dominante que se disseminou sobre a maior parte do México central. A falta de cenas de batalhas nas paredes de Teotihuacán tem estimulado alguns acadêmicos a acreditar que a sua predominância levou a um longo período de paz mantido pela autoridade e pelo poder da grande cidade. Internamente, o fato de que os edifícios mais recentes tendem a ser palácios seculares em vez de pirâmides-templos talvez indique uma transferência no poder e na orientação de autoridade religiosa para civil.

Os maias clássicos
Entre cerca de 300 e 900 da era comum, aproximadamente ao mesmo em tempo que Teotihuacán dominava o planalto central, os povos maias estavam desenvolvendo a civilização mesoamericana elevando-a ao seu mais alto grau no sul do México e na América Central. Enquanto a dinastia Tang governava a China, Carlos Magno criava seu domínio na Europa e o Islã espalhava sua influência da Espanha à Índia, depois que a Antiguidade clássica terminara no Velho Mundo, uma grande civilização florescia nos trópicos americanos. O período clássico americano, iniciado quando as civilizações clássicas do Velho mundo estavam chagando ao fim, durou até o próximo período da história mundial. Por causa da riqueza de seus registros arqueológicos e porque os povos maias ainda reterem muitos aspectos do período clássico quando os espanhóis chegaram, é possível reconstruir o mundo dos maias clássicos em alguns detalhes. Os maias podem ser usados como um exemplo do período clássico no desenvolvimento mesoamericano, porque enquanto sua civilização era singular, ela era baseada em alguns princípios comuns da região.
A cultura maia se estendeu sobre uma ampla região que agora inclui partes de cinco diferentes países (México, Guatemala, Belize, Honduras e El Salvador). Ela englobava várias línguas relacionadas, e tinha considerável variação regional como pode ser visto em seus estilos artísticos. Toda região compartilhava uma cultura comum que incluía arquitetura monumental, uma língua escrita, um calendário, um sistema matemático, uma religião altamente desenvolvida e conceitos de política e organização social. Com uma tecnologia essencialmente neolítica em uma área de densas florestas atormentada por insetos e frequentemente com solos pobres, até 50 cidades floresceram.
Como os grandes centros urbano-religiosos maias clássicos, como Tikal, Copán, Quiriguá e Palenque, com populações entre 30.000 e 80.000, se sustentavam? A agricultura de derrubada e queimada como a praticada hoje na região não era suficiente. Os maias clássicos usavam vários sistemas agrícolas. Evidências de irrigação, drenagem de pântanos e um sistema de “campos sulcados” artificialmente construídos nas desembocaduras dos rios (onde a agricultura intensiva era praticada) parecem explicar a habilidade maia para sustentar grandes centros urbanos e uma população total de talvez cinco milhões de pessoas. Enquanto algumas autoridades ainda acreditam que os centros maias eram essencialmente cerimoniais e ocupados principalmente por governantes, artesãos e pela elite, parece claro que populações se concentraram nestes centros e em volta deles para criar uma paisagem densamente ocupada. As cidades maias variam em tamanho e traçado, mas quase todas incluem grandes pirâmides encimadas por templos, complexos de edifícios de pedras que serviam a propósitos administrativos ou religiosos, residências da elite, uma quadra de jogos com bola rituais e muitas vezes uma série de altares e pilares memoriais. Estes monumentos comemorativos, ou estelas, eram erigidos para comemorar triunfos e eventos nas vidas dos governantes maias ou para marcar ocasiões cerimoniais. As estelas eram normalmente datadas e gravadas com escrita hieroglífica. Um complexo calendário e um sistema de escrita sofisticado foram duas das maiores realizações maias.

sexta-feira, 24 de junho de 2011

Tradições do solstício de verão

Para muitas das antigas civilizações o solstício de verão – o dia mais longo do ano – era visto com grande importância. As pessoas celebravam este dia especial, que cai em junho no hemisfério norte, com festivais, comemorações e outras práticas, algumas das quais ainda sobrevivem ou experimentam uma retomada nos tempos modernos.
Egípcios antigos – o solstício de verão era particularmente importante para os antigos egípcios porque coincidia com o começo da estação da cheia do Nilo. Acreditava-se que nesta época a deusa Isis derramava lágrimas de luto pela morte de seu marido Osíris, causando a elevação do rio e a fertilização do vale do Nilo. Festivais eram realizados em honra a ambas as divindades e celebrava fertilidade e abundância.

Gregos antigos – de acordo com certas variações do calendário grego – eles diferiam amplamente por região e época – o solstício de verão era o primeiro dia do ano. Vários festivais eram organizados por volta dessa época, incluindo o Cronia, que celebrava o deus da agricultura Cronos. O rigoroso código social era temporariamente suspenso durante o Cronia, com os escravos participando das festividades em igualdade ou até mesmo sendo servidos por seus senhores. O solstício de verão também marcava o início da contagem regressiva de um mês para o início dos jogos olímpicos.

Romanos antigos – nos dias que precediam o solstício de verão, os antigos romanos celebravam o festival de Vestália, que pagava tributo a Vesta, a deusa da família. Os rituais incluíam o sacrifício de um bezerro não nascido removido do útero de sua mãe. Esta era a única época do ano em que era permitido às mulheres casadas entrar no templo sagrado das virgens vestais e lá fazer suas oferendas.

Chineses antigos – Os antigos chineses participavam de uma cerimônia no solstício de verão em homenagem à terra, à feminilidade e à força conhecida como yin. Ela complementava o ritual de solstício de inverno, que era devotado ao paraíso, à masculinidade e ao yang.

Antigas tribos da Europa central e do norte – Muitos germânicos, eslavos e celtas pagãos saudavam o verão com fogueiras, uma tradição que ainda é apreciada na Alemanha, Áustria, Estônia e outros países. Algumas tribos antigas praticavam um ritual no qual casais pulavam as chamas para adivinhar o quanto as safras daquele ano iriam crescer.

Vikings – o início do verão era uma época crítica do ano para os navegantes nórdicos, que se encontravam para discutir assuntos legais e resolver disputas nos dias em torno do solstício de verão. Eles também visitavam poços que acreditavam ter poderes de cura e construíam grandes fogueiras. Hoje, as celebrações “vikings” do solstício de verão são populares entre residentes e turistas da Islândia.

Nativos americanos – muitas tribos nativas americanas participavam há vários séculos dos rituais do solstício de verão, alguns dos quais ainda praticados hoje em dia. Os sioux, por exemplo, executavam uma dança do sol cerimonial em volta de uma árvore vestindo cores simbólicas. Alguns estudiosos acreditam que a roda medicinal de Big Horn em Wyoming, um arranjo de pedras construído há várias centenas de anos pelos índios das planícies, alinha-se com o nascer e o por do sol do solstício, e era então o lugar da dança do sol anual daquela cultura.

Maias e astecas – enquanto não se sabe muito de como exatamente as poderosas civilizações pré-colombianas da América Central celebravam o solstício de verão, as ruínas de suas outrora grandes cidades indicam a grande importância desse dia. Templos, edifícios públicos e outras estruturas estavam amiúde precisamente alinhados com as sombras lançadas pelos principais fenômenos astrológicos, particularmente os solstícios de verão e inverno.

Druidas – os grandes sacerdotes celtas conhecidos como druidas provavelmente conduziam celebrações rituais durante o solstício de verão, mas – ao contrário da crença popular – é improvável que estas acontecessem em Stonehenge, o mais famoso círculo de pedra megalítico da Inglaterra. Apesar disso, pessoas que se identificam como druidas modernos continuam a se reunir no monumento para os solstícios de verão e de inverno e para os equinócios de primavera e outono.

quarta-feira, 22 de junho de 2011

Ascensão e queda da civilização maia

A civilização maia, centralizada nas planícies do que hoje é a Guatemala, alcançou o auge do seu poder e influência por volta do século VI da nossa era. Os maias se sobressaíram na agricultura, na cerâmica, escrita hieroglífica, confecção de calendários e na matemática, e deixaram para trás uma quantidade surpreendente de arquitetura monumental e trabalhos de arte simbólica. No entanto, A maioria das grandes cidades de pedra dos maias foi abandonada por volta de 900 EC, e desde o século XIX os pesquisadores tentam desvendar o que deve ter causado este dramático declínio.
Tikal
A civilização maia foi uma das mais importantes sociedades nativas da Mesoamérica (termo usado para descrever o México e a América Central antes da conquista espanhola no século XVI). Diferentes de outras populações indígenas dispersas da Mesoamérica, os maias estavam centralizados em um bloco geográfico cobrindo toda a península de Yucatán e a atual Guatemala; Belize e parte dos estados mexicanos de Tabasco e Chiapas; e a parte ocidental de Honduras e El Salvador. Esta concentração mostrava que os maias permaneceram relativamente protegidos de invasões por outros povos mesoamericanos.
Dentro desse espaço, os maias viviam em três subáreas separadas, com meio-ambientes distintos e diferenças culturais: as terras baixas maias do norte, na península de Yucatán; as terras baixas maias do sul, no departamento guatemalteco de El Petén e porções adjacentes do México, Belize e oeste de Honduras; e as terras altas maias do sul, na região montanhosa do sul da Guatemala. Mais famosa, a região das terras baixas do sul alcançou seu auge durante o período clássico da civilização maia (250 a 900 EC), e construiu as grandes cidades de pedra e monumentos que têm fascinado exploradores e pesquisadores da região.
As povoações maias mais antigas datam de cerca de 1800 AEC, ou do começo do que é chamado de período pré-clássico ou período formativo. Os primeiros maias eram agricultores, cultivando safras de milho, feijão, abóbora e mandioca. Durante o período pré-clássico médio, que durou até cerca de 300 AEC, os fazendeiros maias começaram a expandir sua presença para os vales e montanhas. Esse período também viu o surgimento da primeira civilização importante mesoamericana, os olmecas. Como outros povos mesoamericanos, tais como zapotecas, totonacas, mixtecas e astecas, os maias derivaram várias características religiosas e culturais – assim como seu sistema numérico e seu famoso calendário – dos olmecas.
Além da agricultura, os maias pré-clássicos também demonstraram traços culturais mais avançados como a construção de pirâmides, de cidades e inscrição em monumentos de pedra.
A cidade do final do período pré-clássico de Mirador, no norte de El Petén, foi uma das maiores cidades construídas de todo o período pré-colombiano nas Américas. Seu tamanho deixava pequena a capital clássica maia de Tikal, e sua existência prova que os maias prosperaram séculos antes do período clássico.
O período clássico, que começou por volta de 250 EC, foi o período de maior prosperidade do império maia. A civilização maia cresceu para cerca de 40 cidades, incluindo Tikal, Uaxactún, Copán, Bonampak, Dos Pilas, Calakmul, Palenque e Río Bec; cada cidade mantinha uma população entre 5.000 e 50.000 pessoas. Em seu auge, a população maia deve ter alcançado 2 milhões de pessoas.
As escavações em sítios maias têm revelado praças, palácios, templos e pirâmides, assim como pátios para jogos com bola, que eram ritual e politicamente significativos para a cultura maia. As cidades maias eram rodeadas e sustentadas por uma grande população de agricultores. Embora os maias praticassem um tipo primitivo de agricultura de “derrubada e queimada”, eles também mostraram evidências de métodos de cultivo mais avançados, tais como irrigação e plantio em terraços.
Os maias eram profundamente religiosos, e cultuavam vários deuses relacionados à natureza, incluindo os deuses do sol, da lua, da chuva e do milho. No topo da sociedade maia estavam os reis, ou “kuhul ajaw”, que alegavam ser parentes dos deuses e que seguiam uma sucessão hereditária. Acredita-se que eles serviam como mediadores entre os deuses e o povo, e realizavam as elaboradas cerimônias religiosas e rituais tão importantes para a cultura maia.
Os maias clássicos construíram muitos dos seus templos e palácios na forma de pirâmides de degraus, decorando-os com relevos e inscrições. Estas estruturas auferiram aos maias sua reputação como os grandes artistas da Mesoamérica. Guiados por seus rituais religiosos, os maias também realizaram avanços significativos em matemática e astronomia, incluindo o uso do zero e o desenvolvimento de um complexo sistema de calendário baseado em 365 dias. Embora os primeiros pesquisadores tenham concluído que os maias eram uma sociedade pacífica de sacerdotes e escribas, evidências posteriores – incluindo um exame meticuloso dos trabalhos artísticos e inscrições das paredes dos seus templos – mostraram o lado menos pacífico da cultura maia, incluindo a guerra entre as cidades-estado rivais e a importância da tortura e do sacrifício humano para seus rituais religiosos.
A exploração séria dos sítios maias clássicos teve início na década de 1830. Na primeira metade do século XX, uma pequena parte de seu sistema de escrita hieroglífica foi decifrado, e mais de sua história e cultura se tornou conhecido. A maior parte do que os historiadores sabem sobre os maias vem do que restou de sua arquitetura e arte, incluindo entalhes e inscrições em pedra de seus edifícios e monumentos. Os maias também faziam papel de casca de árvore e escreviam em livros feitos desse papel, conhecidos como códices; quatro desses códices são conhecidos por terem sobrevivido (Códice de Dresden - Sächsische Landesbibliothek, a biblioteca estadual de Dresden, Alemanha; Códice de Madrid - Museu da América, Madrid, Espanha; Códice de Paris - Bibliothèque Nationale (Biblioteca Nacional), Paris, França; Códice Groiler - Cidade do México, México).
Uma das coisas mais intrigantes sobre os maias foi sua habilidade para construir uma grande civilização em uma floresta de clima tropical. Tradicionalmente, os povos antigos floresceram em climas secos, onde a administração centralizada das fontes de água (através de irrigação e outras técnicas) formava a base da sociedade (este foi o caso de Teotihuacán no planalto do México, contemporânea dos maias clássicos). Nos vales maias do sul, no entanto, havia poucos rios navegáveis para comércio e transporte, assim como nenhuma necessidade óbvia por sistemas de irrigação.
No final do século XX, os pesquisadores concluíram que o clima das planícies era totalmente diverso quanto ao meio ambiente. Apesar de os invasores ficarem desapontados com a relativa falta de prata e ouro na região, os maias se aproveitaram dos muitos recursos naturais, incluindo calcário (para construção), a rocha vulcânica obsidiana (para ferramentas e armas) e sal. O meio ambiente também tinha outros tesouros para os maias, como jade, penas de quetzal (usadas para decorar as elaboradas vestimentas da nobreza maia) e conchas marinhas, que eram usadas como trombetas em cerimônias e na guerra.
Do final do século VIII ao final do século IX, algo desconhecido aconteceu que abalou a civilização maia em suas fundações. Uma a uma, as cidades clássicas dos vales do sul foram abandonadas e, perto de 900, a civilização maia nessa região entrou em colapso. A razão para este misterioso declínio é desconhecida, embora os acadêmicos tenham desenvolvido várias teorias conflitantes.
Alguns acreditam que no século IX os maias exauriram o meio ambiente a sua volta ao ponto de que ele não poderia mais sustentar uma população muito grande. Outros estudiosos dos maias argumentam que o estado de guerra constante entre cidades-estado concorrentes levou a complicadas alianças militares, familiares (por casamento) e comerciais que as fez sucumbir, junto com o sistema tradicional de poder dinástico. À medida que o prestígio dos senhores sagrados diminuía, sua complexa tradição de cerimônias e rituais se dissolveu no caos. Finalmente, alguma mudança ambiental catastrófica – como um período intenso, extremamente longo, de seca – deve ter destruído a civilização maia. A seca deve ter atingido cidades como Tikal – onde a água da chuva era necessária para beber, assim como para irrigação agrícola – severamente.
Todos esses três fatores – população elevada e uso exagerado dos recursos naturais, estado de guerra endêmico e seca – devem ter sido responsáveis por uma parte da queda dos maias nas planícies do sul. Nas terras altas de Yucatán, algumas cidades maias – como Chichén Itzá, Uxmal e Mayapán – continuaram a prosperar no período pós-clássico (900-1500). Todavia, na época que os invasores espanhóis chegaram a maior parte dos maias vivia em vilas agrícolas, e suas grandes cidades estavam sepultadas sob a verdejante floresta tropical.